CONCELHO · GRANDE LISBOA

O concelho de Lisboa

A capital — onde tudo está mais perto, e tudo custa mais.

Lisboa concelho custa 4.875 €/m² em 2025 (INE). Cresceu +48% em 6 anos — a margem sul, no mesmo período, mais do dobro. A Lisboa que conheces é um dos 18 concelhos da AML, e está entre os que crescem mais devagar.

Dados-chave (INE Q4 2025)

Mediana 2025
4.875 €/m²

INE — Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local, Q4 2025 (12 meses até dez 2025), publicado 24 abr 2026

1.º quartil 2025
3.966 €/m²

INE Q4 2025

3.º quartil 2025
6.051 €/m²

INE Q4 2025

YoY (2024→2025)
+12,3%

INE Q4 2025

6 anos (2019→2025)
+48%

INE séries 2019–2025

Comparado com vizinhos

Lisboa vs 4 concelhos vizinhos (INE Q4 2025)
ConcelhoSub-regiãoMediana 2025YoY6 anos
LisboaGrande Lisboa4.875 €/m²+12,3%+48%
CascaisGrande Lisboa4.550 €/m²+12,3%+76%
OeirasGrande Lisboa4.187 €/m²+20,6%+86%
LouresGrande Lisboa3.057 €/m²+17,2%+86%
AmadoraGrande Lisboa2.986 €/m²+20,4%+99%

O que é Lisboa

Lisboa é a soma das suas freguesias — e cada uma delas tem um carácter próprio que o mapa administrativo não consegue capturar. O que une todas é a densidade: serviços, transportes, oferta cultural, mercado de trabalho. E o que divide é o preço: comprar dentro de Lisboa concelho é, em média, pagar o triplo do que se paga no Seixal pela mesma área útil. O município tem investido em reabilitação urbana nos bairros históricos, com resultados visíveis mas desiguais. As escolas públicas de referência existem, mas a procura excede a oferta nas freguesias mais valorizadas. O negativo estrutural: Lisboa não cresce em população de forma sustentada — cresce em preço e encolhe em residentes efectivos. Quem compra aqui está a comprar acesso à cidade, não apenas um endereço.

População

545.000 hab.

Renda T2 estimada

1100–2800 €/mês

Transportes

Metro + Comboio

Vale a pena viver em Lisboa?

Depende do que está a comparar. Se o ponto de comparação é Cascais ou Oeiras, Lisboa sai mais cara em renda por metro quadrado mas oferece a maior densidade de transportes, equipamentos culturais e oportunidades de emprego do país. Se o ponto de comparação é Almada, Seixal ou Loures, paga-se um prémio significativo em troca de não atravessar o Tejo nem depender do comboio.

Para quem trabalha em Lisboa três ou mais dias por semana, viver no concelho compensa em tempo e qualidade de vida. Para famílias com filhos que privilegiam casa maior e jardim, os concelhos vizinhos costumam ser melhor escolha.

Quanto custa arrendar um T2 em Lisboa em 2026?

A renda mediana de um T2 em Lisboa fixou-se em 1.586 euros no terceiro trimestre de 2025, segundo o Sistema de Informação Residencial da Confidencial Imobiliário. O valor cobre apartamentos com cerca de 80 metros quadrados em zonas variadas do concelho.

A variação por freguesia é grande. No centro histórico e nas Avenidas Novas, um T2 raramente baixa dos 1.800 euros. Em Marvila, Beato, Lumiar ou Carnide, ainda é possível encontrar T2 entre os 1.200 e os 1.400 euros. Os preços mais altos estão em Santo António, Estrela, Misericórdia e Parque das Nações.

Em €/m², o INE registou 15,93 euros nos novos contratos do quarto trimestre de 2024, o valor mais alto do país. As freguesias de Santa Maria Maior, Campo de Ourique e Estrela já passam dos 17 euros por metro quadrado.

Projeção da renda T2 a 3 anos (2026 a 2029)

O mercado de arrendamento em Lisboa começou a estabilizar em 2025. A Confidencial Imobiliário registou no terceiro trimestre de 2025 a segunda variação trimestral positiva consecutiva (+0,6%), depois de uma queda homóloga de 2,9%. O índice do Idealista confirmou esta moderação, com Lisboa a fechar 2025 em +1,2% anual.

Cenário base para 2026 a 2029: subida acumulada entre 8% e 12%, colocando a renda mediana de um T2 entre 1.700 e 1.770 euros mensais em 2029. O cenário assume estabilização do salário mediano, ausência de choques regulatórios e entrada gradual de oferta nova ao abrigo do programa Construir Portugal e do Parque Cidades do Tejo. Cenário pessimista: subida acumulada acima dos 18% se a oferta não chegar a tempo de absorver a procura interna e internacional.

População e densidade

O concelho de Lisboa tinha 544.851 residentes nos Censos 2021, menos 1,4% do que em 2011. A área é de 100,05 km², o que dá uma densidade de cerca de 5.446 habitantes por km², a mais alta de Portugal continental.

Apesar da perda global, freguesias como Arroios, Areeiro, Avenidas Novas, Alvalade, Santa Clara e Parque das Nações cresceram. As freguesias do centro histórico (Misericórdia, Santa Maria Maior, São Vicente, Santo António) perderam mais de 8 mil residentes na última década, com a Misericórdia a registar uma queda de 26%.

Quem mora em Lisboa? Perfil de morador

Lisboa atrai três grupos principais. O primeiro é jovens profissionais entre os 25 e os 40 anos que trabalham em escritórios da capital, sobretudo nas Avenidas Novas, Saldanha e Parque das Nações. Procuram T1 ou T2 e privilegiam acesso a metro. O segundo é a comunidade internacional, com forte presença de americanos, brasileiros, franceses e indianos, que se concentra em Santo António, Príncipe Real, Estrela e Parque das Nações. O terceiro são moradores de longa data, frequentemente em regime de renda antiga, espalhados pelas freguesias periféricas.

Famílias com filhos pequenos têm vindo a sair do concelho. Mais de 55 mil pessoas saíram de Lisboa entre 2011 e 2021, das quais 78% se mudaram para municípios da periferia, segundo dados do INE.

Transportes e ligação ao centro de Lisboa

Estando dentro do concelho, "centro" significa Baixa, Avenida da Liberdade ou Marquês de Pombal. A partir de qualquer freguesia, o tempo médio de deslocação para o centro é de 15 a 30 minutos por metro ou autocarro.

A rede de metro tem quatro linhas (Azul, Amarela, Verde, Vermelha) e está a ser expandida. Os projetos a acompanhar:

Linha Circular do MetroQ1 2027

Liga Rato a Cais do Sodré, criando as novas estações de Estrela e Santos. Inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2027 segundo a presidente do Metropolitano de Lisboa.

Linha Vermelha (extensão)Pós-2030

Prolonga de São Sebastião a Alcântara, com quatro novas estações: Amoreiras, Campo de Ourique, Infante Santo e Alcântara. Obra adjudicada à Mota-Engil e Spie Batignolles por 321,9 milhões de euros; operação plena não deverá acontecer antes de 2030.

LIOSEm estudo

A Linha Intermodal Sustentável vai ligar Lisboa a Oeiras a ocidente e Santa Apolónia a Sacavém a oriente. Em fase de estudo, sem data confirmada.

Para deslocações regionais, a estação do Oriente, Santa Apolónia, Cais do Sodré, Rossio e Sete Rios concentram a oferta de comboios suburbanos para Sintra, Cascais, Setúbal e Azambuja, além das ligações de longo curso e do TGV em projeto para Madrid.

Projetos urbanos previstos no concelho

Quatro projetos com impacto direto no mercado imobiliário e na qualidade de vida do concelho:

Terrenos do Aeroporto Humberto DelgadoPós-2034

Com 477 hectares, é a maior reserva fundiária da cidade. A Parque Cidades do Tejo, S.A. vai desenvolver estes terrenos quando o aeroporto fechar (previsivelmente entre 2034 e 2037), com propostas em estudo para habitação acessível, espaço verde e nova centralidade urbana.

Hub digital do BeatoEm curso

O Beato Innovation District tem atraído tecnológicas internacionais e está a impulsionar a procura habitacional na zona oriental da cidade.

Lisboa tem cerca de 15.700 famílias em lista de espera para habitação municipal. A Câmara está a executar projetos do Plano de Recuperação e Resiliência para reabilitar e construir nova oferta nos próximos dois a três anos.

A revisão do PDM em curso prevê maior densificação habitacional em zonas de transformação urbana como Marvila, Beato, Braço de Prata e Vale de Chelas.

Escolas, saúde e comércio

Lisboa concentra grande parte da oferta pública e privada de equipamentos do país. Em ensino, há cerca de 50 escolas públicas básicas e secundárias, três pólos universitários estruturantes (Universidade de Lisboa, Universidade Nova, ISCTE) e colégios privados internacionais — Lycée Français Charles Lepierre (Campolide), Colégio Luso-Suíço (Estrela), Escola Alemã de Lisboa (Telheiras) e United Lisbon International School (Parque das Nações). Em saúde, o concelho tem os hospitais universitários de Santa Maria, São José, Curry Cabral e Estefânia, e três grandes redes privadas (Lusíadas, CUF, Luz). Em comércio, há de tudo: hipermercados em quase todas as freguesias, mercados municipais (Campo de Ourique, Arroios, Ribeira), centros comerciais grandes (Colombo, Vasco da Gama, Amoreiras) e ruas de comércio tradicional ainda vivas em Alvalade, Lapa e Bairro Alto.

As freguesias de Lisboa

  • Ajuda

    Palácio Nacional e Tapada; residencial tradicional com encostas íngremes.

  • Alcântara

    Antigo industrial reconvertido em ateliers e novos prédios; LX Factory como âncora.

  • Alvalade

    Centralidade lenta, premium estável; famílias com filhos em idade escolar.

  • Areeiro

    Valor em transição, eixo Saldanha; oferta gastronómica em expansão recente.

  • Arroios

    Densidade alta e diversidade demográfica; o coração diverso de Lisboa.

  • Avenidas Novas

    Centro reformatado; escritórios premium, edifícios de gama alta.

  • Beato

    Frente ribeirinha oriental; Hub Criativo e fábricas em conversão.

  • Belém

    Monumentos, museus e rio à porta; premium turístico estabelecido.

  • Benfica

    Bairro consolidado a noroeste; estádio e Estrada de Benfica como espinha.

  • Campo de Ourique

    Bairro de família por excelência; mercado, gastronomia e comércio local denso.

  • Campolide

    Sete Rios e Universidade Nova; conectividade ferroviária central.

  • Carnide

    Colina norte com núcleo histórico preservado; perfil residencial tranquilo.

  • Estrela

    Premium clássico; Jardim da Estrela, embaixadas, hospitais centrais.

  • Lumiar

    Subúrbio com metro; expansão familiar e zona com mais transações em 2025.

  • Marvila

    Frente ribeirinha em reconversão; criativos, breweries e novos prédios.

  • Misericórdia

    Bairro Alto, Chiado, Príncipe Real; núcleo histórico com nightlife.

  • Olivais

    Habitação planeada anos 60; periférico-central, equilíbrio preço/serviços.

  • Parque das Nações

    Expo 98, planeamento moderno, rio; a freguesia mais nova de Lisboa.

  • Penha de França

    Bairro de colina; miradouro, transição residencial em curso.

  • Santa Clara

    Alta de Lisboa; periferia norte com habitação social planeada.

  • Santa Maria Maior

    Alfama, Mouraria, Castelo; turismo intensivo, habitação histórica.

  • Santo António

    Avenida da Liberdade; luxo, escritórios corporativos, hotéis 5 estrelas.

  • São Domingos de Benfica

    Burguesia consolidada; embaixadas, Quinta da Granja, edifícios anos 60–80.

  • São Vicente

    Graça, miradouros, panteão; gentrificação activa, núcleo vibrante.

FAQ

Perguntas frequentes

Lisboa é boa para famílias com filhos?

Depende da zona. Alvalade, Avenidas Novas, Telheiras e Parque das Nações têm boa oferta escolar e parques. O centro histórico é menos prático para famílias por falta de espaços verdes próximos e dificuldade de estacionamento. O orçamento mínimo para uma renda T3 em zona familiar começa nos 1.800 euros.

Lisboa é boa para quem trabalha em remoto?

Sim, sobretudo nas zonas com cafés e espaços de coworking concentrados (Príncipe Real, Santos, Marvila). A cobertura de fibra é boa em quase todas as freguesias.

Quais são as zonas mais baratas para arrendar em Lisboa?

Marvila, Beato, Olivais, Carnide, Charneca e Santa Clara mantêm rendas T2 entre 1.150 e 1.400 euros. São zonas com transporte público mas mais distantes do centro histórico.

Vale a pena comprar casa em Lisboa em 2026?

O preço mediano de venda foi 4.492 euros por metro quadrado no primeiro trimestre de 2025, segundo o INE. Para um T2 de 80 m², isto significa cerca de 360 mil euros. Faz sentido para horizontes de 7 a 10 anos. Para horizontes mais curtos, o arrendamento sai mais flexível.

Vou ter o aeroporto a sair de Lisboa?

Sim, o Aeroporto Humberto Delgado deverá fechar entre 2034 e 2037, quando o novo Aeroporto Luís de Camões em Alcochete entrar em operação. Os 477 hectares libertados serão alvo de um plano urbanístico que está em fase de estudo.

Fontes

  • INE, Censos 2021, Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local (4T 2024), Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local (1T 2025).
  • Confidencial Imobiliário, Sistema de Informação Residencial, Índice de Rendas (3T 2025).
  • Idealista, Índice de Preços de Arrendamento (dezembro 2025).
  • Imovirtual, Barómetro dos Concelhos (janeiro 2026).
  • Metropolitano de Lisboa, Plano de Expansão e Modernização.
  • Diário da República, DL Parque Cidades do Tejo (setembro 2025).
  • Câmara Municipal de Lisboa, Estratégia Local de Habitação.

Quem se dá bem aqui

Quem quer cidade a 100% — sem percurso, sem dependência de carro, com tudo resolvido a pé ou a uma viagem de metro.

Quem não se dá bem aqui

Quem precisa de área grande por preço razoável, ou de jardim privado como condição não negociável.